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Resenha do livro "Danação - Um Romance Fantástico " de Marcus Achiles - Editora Baraúna

Sinopse:
Em maio de 1734 Taubaté era uma vila sitiada e aterrorizada. A cada sexta-feira seus moradores repetiam o mesmo ritual perturbador das semanas anteriores, enterrando corpos queimados encontrados nas matas. Uma intolerância comparável apenas ao medo diante de um adversário oculto e invencível logo jogou colonos e militares contra os índios abrigados em aldeias próximas. Para os crentes, no entanto, aquele pedaço de terra e suas três mil e poucas almas eram uma nova Sodoma, condenada por Deus a ser consumida pelas chamas. É nesse pandemônio de fanatismo, fúria e violência que chega a Taubaté o mais maldito dos homens, perseguido pelo maior dos inimigos e guiado por um anjo. Ele é Diogo Durão de Meneses, um senhor de engenho a quem a tão desejada morte era negada há quatro anos. Um forasteiro, destinado a enfrentar um ser que desafiava toda razão e fé – e que, nos séculos seguintes, seria imortalizado no imaginário de um povo. DANAÇÃO não é apenas um romance que transporta o leitor para o Brasil do século XVIII. Em suas páginas estão mais do que o dia-a-dia no interior de uma colônia inóspita, com seus costumes fielmente retratados. O livro é também uma passagem para outra dimensão, na qual seres imaginários – que séculos atrás povoaram os medos dos homens – criam vida. E onde o Mal deixa os sermões dos padres e se torna tangível e implacável. DANAÇÃO busca dar ao folclore brasileiro contornos inéditos, unindo o mais puro realismo fantástico aos dramas verdadeiros de negros, brancos e índios em uma época de incerteza e provação.



Autor (a): Marcus Achiles
Editora Baraúna
ISBN 9788579234873
Edição 1 / Ano 2012
Páginas : 409

Sabe aqueles livros que quando você termina de ler, a leitura é tão intensa que você precisa de um tempo para assimilar tudo o que leu, e fica com gosto de quero mais, esperando que a obra tenha continuação. Pois bem, Danação é assim.

O primeiro aspecto que devo salientar é a excelente reconstituição histórica do período, o autor consegue fazer com que o leitor se sinta inserido na sociedade colonial brasileira do século XVIII. Percebemos o seu cuidado em detalhes como alimentação, vestuário, expressões e talvez o mais importante, a mentalidade vigente e os conflitos da época.

O segundo aspecto é sobre a trama em si, os personagens são bem construídos e bem trabalhados ao longo da história, protagonistas, antagonistas e personagens auxiliares. As motivações são bem explicadas, e os desfechos para o desenrolar da trama são gratificantes. O personagem principal é um perfeito exemplo. Diogo Durão de Menezes, um senhor de escravos que vaga pelo sertão, acompanhado de dois escravos, pai e filho, João e Inácio, em uma cruzada pessoal em busca de redenção por um crime do passado. Um personagem que produz no leitor uma gama de emoções, em um momento você o odeia, no outro você passa a torcer por ele e desejar o melhor para a sua empreitada.

E esta, o leva a cidade de Taubaté, que está sendo assolada por mortes misteriosas, causadas por um ente sobrenatural, e o caminho de Diogo é drasticamente modificado pelo embate.

O folclore brasileiro é abordado de um prisma não tanto usual, que me agradou em cheio, depois de ler Danação, o termo “histórias para assustar as criancinhas” tem um novo significado.

O estilo da escrita de Marcus Achilles é excelente, e o clima do livro, remeteu-me a outra saga que sou fã, a Torre Negra de Stephen King, apesar da trama dos livros serem completamente diferentes.

Outro ponto que tenho que destacar é o teor pesado da trama, temas polêmicos são abordados, violência tanto física como sexual, com adultos e menores, e outros de aspectos religiosos, inclusive com questionamentos, que poderão causar um mal-estar a leitores mais sensíveis. Mas destaco que os temas polêmicos não são utilizados de forma gratuita e estão bem inseridos na trama.

O único porém do livro é o tamanho da fonte utilizada e o espaçamento, muito pequeno, ficamos com a impressão de que o livro seria muito maior, mas teve que se encaixar nas 409 páginas por questões que nos são alheias. Com um outro tipo de fonte e espaçamento ultrapassaria facilmente 800 páginas.

Concluindo, o final do livro é espetacular, e deixa o leitor com aquela sensação boa de justiça. Além de um final que insinua uma possível continuação.
Torço muito que isto aconteça, tanto pelo autor quanto pela história.






Marcelo Daltro  
Pai e marido apaixonado pelo filhote e esposa, ilustrador, chargista, Bacharel em História (especializado em mito, imaginário e história em quadrinhos), fanático por cultura pop: quadrinhos, filmes, livros, desenhos animados, séries e RPG.
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