Sinopse
Um clássico da literatura mundial, a obra-prima de Sir Walter Scott.
"Ivanhoé" é uma estória do qual todos já ouviram falar. A saga do
cavaleiro negro, os Templários e as Cruzadas. Uma história de amor,
guerra e honra.
Edição: 2147483647
Editora: Madras
ISBN: 8573746327
Ano: 2003
Páginas: 360
Ivanhoé e a minha Idade Média sonhada
A Wikipédia tem uma
definição interessante para o Ivanhoé, ela diz que:
"Ivanhoé é um romance do escritor britânico Walter Scott, publicado em
1819. Narra a luta entre saxões e normandos e as intrigas de João sem Terra para
destronar Ricardo Coração de Leão. Primeiro romance de enredo histórico. O
livro, que conta a história de um cavaleiro da época em que João Sem-Terra
havia usurpado o trono do irmão Ricardo Coração de Leão, deu origem a um
seriado de televisão, filmado em 1958 e 1959, e exibido no Brasil na década de
1960, cujo personagem principal era interpretado por Roger Moore".
Bem, eu não tenho uma
definição melhor, mas Ivanhoé é um pouco mais que isso, reza a lenda que Walter
Scott foi o criador do romance histórico, esse gênero que nos encanta até
hoje... Inclusive nosso igualmente clássico José de Alencar me lembra muito os
escritos de Scott, e Ivanhoé é um clássico que merecia bem mais que um
paragrafo na Wikipédia!
É um trabalho lindo,
a partir dele a moderna identidade inglesa começava a ser construída
discursivamente, ele narra em suas linhas mais do que as venturas e desventuras
do caveleiro deserdado e sim as venturas e desventuras dos que romanticamente
falando formariam o povo inglês.
Carregada de romantismo,
dos ideais da época em que foi escrita e antes de falar da Idade Média dos
homens e mulheres dessa época eu acho que Ivanhoé fala do século XIX e de como
a Idade Média era vista nessa época. Ajuda a entender porque esse povo se
sentia o último biscoito do pacote, os donos de todos os dons morais e
intelectuais, prontos a levar civilização e ordem para os quatro cantos do
mundo, se já eram capazes de tão grande nobreza durante os idos tempos
medievais o que se diria de suas capacidade durante o glorioso século XIX?
Mas quando eu li
Ivanhoé aos nove anos em uma versão adaptada cheias de ilustrações do tipo
tapeçaria medieval eu nem sonhava com essas ideias e ele era meu livro favorito
e eu adorava todos os personagens, o Cavaleiro Deserdado, tão nobre, o
Cavaleiro Negro, Ricardo Coração de Leão, Robin dos Bosques e até aquele
cavaleiro templario Brian Gilbert.
Eu imaginava a Idade
Média a luz de Ivanhoé, um tempo que se lutava em nome de Deus, da Honra e do
Rei, era meu mundo ideal, o mundo dos sonhos dos meus sonhos infantis com
homens e mulheres nobres vencendo o mal, ganhando as batalhas no último
momento... Um mundo onde o fraco justo vence o forte injusto, onde a pelica
vence o aço.
Meu personagem
favorito era a júdia Rebeca, ela era apaixonada por Ivanhoé que por sua vez
morria de amores por uma loira aguada, a Lady Rowena, mas nem por isso Rebeca
deixava de auxiliar Ivanhoé. Uma mulher a frente de seu tempo, nobre, justa,
inteligente, destemida, reflexiva e termina solteira, voltando para Jerusalém
para trabalhar como enfermeira dos cruzados feridos... Mil vezes aff... Mas,
nem por isso Rebeca deixa de ser "A MELHOR!".
Ah, outro personagem
pelo qual eu nutria um amor meio que recalcado era Brian de Bois Guilbert,
inimigo mortal de Ivanhoé, eu não achava ele muito nobre, justo, ou coisas do
gênero, mas eu gostava dele porque ele reconheceu o valor de Rebeca, era
apaixonado por ela, mesmo sendo um Cavaleiro Templario... Algumas vezes ele
pisa na bola geral, mas ainda assim tem um chame e tanto \o/.
Foi doloroso quando
meu professor de história chato, ranzinza e marxista esclareceu a todos nós que
durante a Idade Média os nobres cavaleiros de nobres não tinham nada, que eles
não tomavam banho, exploravam os camponeses e viviam uma vida de fartura e
opulência enquanto os camponeses sofriam a amargura do frio, da penúria e da
fome, morrendo de velhice antes dos 30, morando em taperas, vivendo oprimidos e
que mesmo as mulheres nobres não passavam bons bocados não... Vigiadas,
normalizadas, punidas, Rebecas não teriam sobrevivido ao fogo ou ao claustros.
Ele acabou com minha Idade Média em três tempos e tchau para meu castelo
medieval onde Brian de Bois Guilbert se redimiam e viviam felizes para sempre
com Rebecas que deixavam de ser otárias.
Eu lembro bem dessa
aula que provalmente meu professor esqueceu na multidão de aulas que ele já
deu. Nessa época fiquei com a impressão de que a História é uma dama muito
cruel e que não existe compaixão no coração dela, rsrsrs... Hoje já sei que a
História não é uma dama cruel, é apenas melancolica e cansada., afinal se detem
na tentativa de compreender um mundo que nunca foi um lugar fácil de se viver,
não existe Idade de Ouro e Gloria para a História.
Mas, afinal o que é a
Glória para que eu a deseje néh? Como já questionava a minha sempre querida
Rebeca de seu longínquo lugar em uma Idade Média sonhada, ou mesmo da pena de
um autor sonhador do século XIX:
"- Glória?... É ela a ferrugenta armadura pendendo sobre o esquecido e
triste túmulo do guerreiro? A inscrição apagada que o monge mal sabe traduzir
para o peregrino que o interroga? Serão estes os prêmios, correspondentes ao
sacrifício de todas as afeições, para se viver uma vida de sofrimento, fazendo
os demais sofrerem? Ou será que há tanto mérito nas toscas limas dos bardos
errantes, para se porem de parte amores, afeições, paz e felicidade, para nelas
se ser mencionado por menestréis vagabundos, cantando-as em tavernas para os
bêbados?"
Publicada originalmente em:
http://www.skoob.com.br/estante/livro/17132150
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