Resenha "Três Vezes Nós" de Laura Barnett

Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581638379
Ano: 2016
Páginas: 384


"Uma jovem mulher com uma bicicleta quebrada após desviar de um cão. Um homem que ela poderia facilmente ter deixado passar, sem parar, levando consigo uma vida inteira, uma vida que poderia nunca ter sido dela.Eva Edelstein está no segundo ano do curso de Inglês na Universidade de Cambridge. Ela namora David Katz, estudante e aspirante a ator. A vida de Eva parece bem encaminhada, quando, no campus da universidade, ela conhece acidentalmente Jim Taylor, estudante frustrado de direito.Há três versões, três realidades diferentes para o futuro de Eva e Jim, dos anos 1950 até os dias atuais.Se o nosso futuro é uma encruzilhada, gostaríamos de saber qual caminho seguir? E depois, ficaríamos felizes com a nossa escolha?Três vidas. Três histórias. Três destinos... permeados com traições e ambições, mas também com amor e arte. Três vezes nós explora a ideia de que há momentos em nossas vidas que poderiam ter sido diferentes e como pequenos fatos ou decisões que tomamos podem determinar o rumo da nossa vida para sempre."



Comecei a leitura desse livro certa de que não gostaria dele. Sou normalmente suscetível a não me apegar a elemento algum de histórias de romance, e em geral termino os livros sem tirar nada para a minha vida. Provavelmente essa impressão que tenho desse tipo de narrativa vem de mim, e não do gênero em si. Vem provavelmente da minha falta de sorte ao escolher romances, e, claro, do meu simples gosto pessoal. Normalmente consigo apreciar um casal e seu desenvolvimento quando isso é aliado a algo a mais, ou quando não passam de uma história no background da principal.

Não mais falando de romances, mas de livros de um modo geral, costumo tender mais para histórias mais reais, onde personagens possuem dimensões, são humanos, interessantes e envolventes. Sofrem, tomam decisões erradas e cometem erros. Possuem defeitos que vão além dos numerosos clichês aos quais todos nós já devemos estar tão acostumados. 

Entendo que certos clichês em romances possam ser algo agradável aos leitores do gênero, assim como por vezes eu aceite certas coisas em fantasias, mistérios ou ficções científicas, por exemplo, mesmo sabendo que aquilo já foi feito diversas outras vezes.

Mas em romances, essas pequenas - ou grandes - coisas tendem a me incomodar além do aceitável. Sou extremamente contrária a romances perfeitos demais, casais cujas brigas são ridiculamente fúteis e geralmente não são causadas por erros dos interesses românticos, (afinal, se eles errarem, se cometerem um erro de verdade, como o leitor poderia continuar torcendo por eles?).

Bom, nas primeiras páginas de Três Vezes Nós, pensei que entrava exatamente nesse tipo de história. Torci o nariz para os ambientes narrados de maneira perfeita demais, para os personagens que eram tão belos, tão interessantes, tão jovens e feitos um para o outro. E me assustei com a súbita realidade que tomou conta das páginas vagarosamente, como se fosse se depositando palavra após palavra, esperando pacientemente pelo momento em que me faria parar de ler e pensar: "O que que aconteceu?'. 

Uma realidade tão distante da minha e que ainda assim me trouxe uma sensação estranha de reconhecimento, quase como se aquelas fossem pessoas que eu poderia encontrar em uma festa de família, ou ler um artigo sobre em algum site por aí. Pessoas com as quais eu poderia cruzar no meu dia a dia, ou ter longas conversas sobre as coisas que temos em comum.

Uma sensação estranha, realmente, tendo em mente que - a pesar de certas semelhanças com algumas características de certos personagens - eu não tenho muito a ver com eles, e provavelmente nossas conversas, se realmente acontecessem, não fossem durar mais que um minuto.

Foi só agora, enquanto escrevo essa resenha, que percebi que essa sensação se dava não apenas aos interesses dos personagens, aos seus medos e receios sobre o futuro e à sua forma de lidar com isso, se dava, principalmente, pela surpresa em encontrar em uma história fictícia pessoas de verdade.

Os protagonistas não são perfeitos. Nenhum deles o é. A verdade é que eles estão muito distantes disso, e ainda assim eu me vi gostando deles. Não o tipo de gostar onde você choraria diante da morte daquele personagem, ou defenderia suas ações até o fim. Um tipo mais distante, mais como uma observadora, que vê as coisas acontecendo sem sentir que deveria fazer muito sobre aquilo, e só espera que a história se transcorra, se importando o suficiente para continuar lendo, porém distante o suficiente para não fazer muito mais sobre isso.

Eu ia dizer que não recomendo esse livro para aqueles que possuem visões otimistas sobre o próprio futuro e querem continuar assim, ou para aqueles que não possuem tal visão, mas desejam passar a tê-la. No entanto, ao pensar melhor, eu sinto que o efeito que esse livro teve sobre mim, a forma como me senti no decorrer da história e diante de seu desfecho, foi diferente do que pode ter em outras pessoas, vivendo em realidades diferentes, com mentalidades diferentes.

Eu - que muito me vi nos medos que os personagens expressaram quanto aos seus futuros, que me identifiquei com seus sonhos, suas ambições, e que, por fim, tenho medo do envelhecimento e o que vem com ele - passei as páginas sentindo um peso sobre mim. Não foi exatamente uma leitura agradável, (exceto quando pude me desassociar do resto e me concentrar na habilidade com a qual a autora narrava as belíssimas ambientações de certas cenas), e em alguns momentos tive de me forçar a continuar. Mas fiz isso apenas porque eu queria saber mais sobre os personagens, me apeguei a eles e queria saber onde aquilo acabaria, ou o que fariam a seguir. Queria continuar acompanhando seu crescimento, seus erros, suas decisões mal tomadas, queria continuar vendo meus próprios medos naqueles personagens cujas vidas pude ver desmoronar e então seguir em frente, com certas partes faltando, rachaduras irreparáveis e o perigo de um novo desabamento. Mas de pé novamente.

O livro não é perfeito, claro. Pude perceber pequenos sinais de que a história pisava perigosamente perto da linha entre o real e o clichê, mas no fim, esse livro é uma ficção, não uma biografia. Aquelas não são pessoas de verdade, e suas vidas, mesmo que inspiradas em eventos reais, são ainda fictícias, são ainda parte de um romance que, no fim, é muito mais do que apenas isso.

Três Vezes Nós discute de maneira interessante e delicada o conceito de destino, do peso das nossas escolhas, do que poderia ter sido, dos numerosos "e se's" com os quais nos deparamos, e de qual é a real importância de coisas como essas, seja no transcorrer das nossas vidas, seja em nós mesmos e quem acabamos por nos tornar.



Livro cedido em parceria pela editora Novo Conceito

5 comentários

  1. Oi Ana, tudo bem? Eu ao contrário de vc adoooro um clichê rsrsrsrsrs e achei a proposta do livro bem interessante. Se vc curtiu, é bem capaz que eu curta também, mesmo não sendo tão perfeito!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi, também não gosto de romances perfeitinhos e não sou otimista me considero mais realista. Acho que esse livro irá me agradar.
    Obrigada pela dica! :)

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  3. Eu tenho um fraco por histórias que discutem de maneira delicada o conceito de destino, do peso das nossas escolhas, do que poderia ter sido, dos numerosos "e se's" da vida. Sempre digo que "e se" é um universo de impossibilidades mas ainda assim por que não para e pensar no assunto? Gostei de sua resenha, da sinceridade, da exposição de seus dilemas diante do livro, de como foi a experiencia da leitura e do que resultou da experiência.

    Jaci
    Uma Pandora e Sua Caixa

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  4. Oii Ana, eu amei esse livro quando li, justamente por mostrar como nossas atitudes podem mudar o rumo da nossa vida.
    -Beijos,Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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  5. Oi Ana, tudo bem?
    Ainda não conhecia, valeu pela dica!
    Blog Entrelinhas

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