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Bate-Papo com autógrafos com Renan Carvalho em Ribeirão Preto" - AMANHÃ 20/06


Olá Pessoal !!!

Esse Final de semana você está convidados para conhecer o poder dos elementos em um bate-papo com o escritor de Supernova, Renan Carvalho.

Amanhã, sábado, dia 20, a partir das 16h na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de Ribeirão Preto.

Vamos entrar nessa batalha e descobrir porque O encantador de flechas é a fantasia distópica nacional mais elogiada do ano ?


Venha participar !  Confirme a sua presença aqui


  




[Bate Papo Literário] Palavras de Pórtico ou a história de um livro!

 

Seguindo nossa fofa Wikipédia:


"... pórtico é o local coberto à entrada de um edifício, de um templo ou de um palácio" 



Palavras de Pórtico é uma nota solta de Fernando Pessoa, escolhida para iniciar o conjunto de obras dele reunidos por Maria Aliete Galhoz em"O Eu profundo e os outros Eus", que em 1980 já estava em sua 9ª reedição,  e  justamente um dos volumes dessa reedição que está comigo desde 2002.

Vez ou outra eu topo com algum trecho dessa nota de Pessoa aqui e acula e esse encontro sempre me lembra meus dias de adolescente agarrada com esse livro para cima e para baixo, para um lado e para o outro. #BoaLembrança


Já faz uma década desde a minha primeira leitura desse livro e dessas palavras de pórtico... Me pergunto como parece ter passado tanto tempo e tempo nenhum ao mesmo tempo...


As vezes parece que os 25 anos são outra adolescencia, você é novamente velha demais para muitas coisas e jovem demais para tantas outras, está no caminho do meio, nem é a jovem de 20 anos entrando no mundo dos adultos, no início do curso universitário... querendo abraçar a vida com as pernas, trabalha-estuda-trabalha-namora-igreja, nem é a pessoa madura dos 30, que reza a lenda contada por minhas amigas balzaquianas, já sabe o que é e o que não é, o que quer e o que não quer e pode fazer o que quer \o/

A parte isso, em minha nova adolescencia observo as marcas que a velha deixou nesse livro, engraçado como os nossos livros mais antigos e queridos vão juntando dentro de si nossas histórias. Essa edição carrega uma história, não só a dos escritos do Pessoa, mas a minha vida com os escritos do Pessoa, as notas, os rabiscos, alguns marca páginas diferentes, verdadeiros moradores desse livro.


O senhor Koenma de Yu Yu Hakusho, foi feito por um amigo querido, acho que foi da época anterior ao vestibular:



Essa menina fofinha também mora no livro, não lembro dela nem de que anime saiu, mas é fofa néh?!


A flor azul que deve ter saído de alguma decoração da Escola Dominical e marca o Pastor Amoroso e algumas de minhas passagens favoritas:


"O amor é uma companhia"

"Amar é pensar.E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nelaNão sei bem o que penso, mesmo dela, e eu não penso senão nela."

"Todos os dias agora acordo com alegria e pena.Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.Tenho alegria e pena porque perco o que sonhoE posso estar na realidade onde está o que sonho.Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,Não sei o que hei de ser comigo sozinho.Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo."

Tem a marcação de Rafaela, sobre a qual eu nada sei:


E até mesmo a marcação de um amigo querido a quem emprestei o livro:



Possivelmente outras marcações se juntarão a essas, possivelmente outros marcadores/moradores se juntem a esses, espero por eles, que venham se tiverem que vim, que cheguem em tempo, que esse livro seja repleto de histórias, as mais lindas e variadas enquanto eu e os meus nos encontramos e reencontramos com Fernando Pessoa e seus muitos Eus em nossas sucessivas adolescencias... Quanto tempo mais durará esta???

Ah, deixo aqui essa nota solta dele na integra, mesmo não trazendo ela na integra para os pórticos da minha vida, deixo ela inteira porque as pessoas costumam frisar pequenas partes do que em si já é uma pequena parte de algo que a gente nem sabe o que é nem tem como saber ao certo... Essa coisa de citar de pedacinho nem sempre é algo muito justo com a pessoa do Fernando...


Palavras de Pórtico

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso."
Quero para mim o espirito [d]esta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário: o que é necessário é criar.
Não canto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torna-la grande, ainda que para isso tenha que ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o proposito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


  Pandora
Jaci Clemente conhecida neste  mundo virtual como  Pandora. Estudante de História e  seu objeto de estudo preferido é História da Educação. É apaixonada por literatura fantastica, poesia, romances do século XIX e todo tipo de livro bem escrito, seu primeiro emprego foi com educação infantil, então também ama literatura infantil. Adora responder aos comentários feitos em suas resenhas tentando estar sempre presente .    e-mail  #   facebook   #  twitter  #  skoob
 

[Bate Papo Literário] As Irmãs Brönte

Estou lendo o livro “Jane Eyre” da Charlotte Brontë, e me deu vontade de escrever a respeito das irmãs Brontë e sim, esse post vai ser longo porque aquelas mulheres discretas, meio sofridas, filhas de um pastor inglês do inicio do século XIX, cuja cabeça era tão cheia de imaginação, paixão e capacidade criativa me fazem querer tagarelar.

A primeira das irmãs Brontë com a qual tive o prazer do encontro foi a Emilly Brontë, foi um mau começo. Céus porquê quis a Divina Providência me apresentar logo a mais arredia das meninas? Tímida, introspectiva, fechada para balanço, boa observadora de seu mundo, péssima na arte de manter uma mera conversação burocrática.

A leitura de “O morro dos ventos Uivantes” foi uma das experiências mais atormentadas de minha adolescência. Existe uma forma de não ser envolvido pelo frio musgoso daquela charneca atormentada? Se existe eu não os conheço, pois que a violência contra as crianças, as desigualdades sociais naturalizadas e a brutalidade infantil e mortal do protagonista sempre me abatem o espírito.

Li Emilly Brontë exatamente após “Orgulho e Preconceito” esperando encontra nos personagens da Emilly a mesma fagulha de calor, esperança e amor encontrada no celebrado e apaixonante romance de Austen e só encontrei frio, tristeza e revolta. Lembro sempre que quando fui devolver o livro o bibliotecário me perguntou se eu gostei e respondi com meu jeito estabanado e sem filtro da adolescência: “Nunca mais leio essa autora.”. Nunca diga: “Dessa água não beberei!”, de lá para cá já voltei a Emilly no mínimo mais duas vezes e continuo achando esse romance uma coisa atormentada.

Depois da atormentada Emilly, Anne foi a segunda das irmãs a entrar em minha vida. Confesso que a mais nova das irmãs Brontë demonstrou ser uma criatura um pouco mais otimista na escrita da história de "Agnes Grey", livro no qual ela mistura um pouco de sua autobiografia com um de seus sonhos. Se bem me lembro, Agnes é a mais nova de três irmã e decide se aventurar como preceptora de crianças após a morte do pai para não se tornar um peso para a mãe e irmãs. Durante sua atividade como professora ela amadurece e encontra o amor na figura de um pastor modesto e honesto e no final do livro ainda abre uma escola junto com a mãe e as irmãs. Não sei, porém suspeito que terminar seus dias junto a suas irmãs exercendo o magistério de forma independente era o sonho dela.

Já a Charlotte parece um meio termo entre Emilly e a Anne, até aqui “Jane Eyre” tem tido um peso dramático e melancólico, mas também há um núcleo de luz, há romance e calor para contrabalançar o frio. O livro funciona em seus 10 primeiros capítulos como um ótimo registro da vida escolar de crianças pouco favorecidas financeiramente em meados do século XIX, na Inglaterra, isso o torna bem atrativo para mim.

Gostaria muito de juntar o resmungão Raul Pompeia, o qual estudou em uma escola modelo do Império do Brasil, contando com todo o luxo, sem castigos físicos, com comida abundante, todos os aparelhos da modernidade pedagógica da época com a austera Charlotte Brontë. Talvez desse encontro saísse um homem com menos pena de si mesmo e mais capacidade de enfrentar dignamente seus bichos. #ProntoCritiquei

Voltando a Jane Eyre, ela tem sido até aqui uma baita heroína, dramática, intensa, intelectiva e com um fabuloso espírito prático. Sozinha no mundo vai abrindo seu caminho como pode, como dá, como lhe é possível dentro daquela sociedade na qual a desigualdade era naturalizada. Existe forma de não me emocionar com os suspiros de liberdade da jovem Jane?:

“Nesta tarde, cansei-me da rotina de oito anos. Quis liberdade, ansiei por liberdade. Por liberdade murmurei uma prece – e tive a sensação de que ela se desfazia ao vento que soprava lânguido. Abandonei-a e construí uma súplica humilde: pedindo mudança, pedindo estímulo. E também essa súplica me pareceu fundir-se no espaço vago. – Então – bradei, meio desesperada – dai-me pelo menos uma servidão diferente!” (Charlotte Brontë_Jane Eyre, 2008, p. 56).

Sempre fiz de “O morro dos ventos Uivantes” um contraponto ao “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen, um exercício pouco frutífero é verdade e infundado, mas, observando bem o livro de Charlotte Brontë tem mais pontos em comum que o clássico mais celebrado de Austen do que qualquer outro livro escrito por uma Brontë. Pois trata-se da história de como uma jovem desfavorecida se encontra com um homem melhor colocado na sociedade e com ele vive experiências que terminam em casamento. Mas, pensando bem, também essa comparação não é muito frutífera, naquela sociedade hierarquicamente desigual Jane Eyre estava em um extrato social inferior ao de Elizabeth Bennet, assim como as Brontë estiveram em um estrato abaixo do de Jane Austen.

Pensando bem, a autora de "Orgulho e Preconceito" jamais fez de pessoas abandonadas pela sorte, crianças, órfãos, empregadas domésticas, alcoólatras e preceptoras, protagonistas de suas histórias - no máximo coadjuvantes - de forma geral acho que ela mal percebia a existência desses sujeito. Já as Brontë fazem justamente desses seres abandonados pela sorte e até sujeitos de moralidade duvidosa (Heathcliff) personagens centrais em suas narrativas.

Apesar de estar gostado muito do texto da Charlotte Brontë, confesso achar mais fácil amar a vivacidade de Elizabeth Bennet e encontrar mais carisma no Mr. Darcy. É mais difícil amar a sobriedade de Jane Eyre e gostar do esquisitão Mr. Rochester. A luminosidade, a doçura, os bailes e o calor acolhedor dos livros de Jane Austen ainda me parecem mais convidativos que a dramaticidade das situações expostas em livros como o de Charlotte Brontë.

A propósito, parando de comparar, preciso dizer: mesmo me sentindo mais atraída pela obra de Austen, cada vez mais amo Charlotte Brontë. É impossível não amar uma mulher tão antenada com as discussões de seu tempo a respeito da desigualdade entre os gêneros, capaz de escreve em 1848 reflexões como essa:
“Têm-se as mulheres como entes passivos; e elas, todavia sentem tanto quanto os homens. Tanto quanto os seus irmãos, necessitam de campo onde exercitam as suas faculdades. As mulheres penam nos constrangimentos exagerados na inércia absoluta, precisamente como os homens sofreriam nas mesmas condições. E é pobreza de espírito dos seus privilegiados companheiros dizer que elas devem limitar-se a fazer pudins, cerzir meias, tocar piano e bordar almofadas. Condená-las, ou ridicularizá-las se agem ou aprendem mais do que o preconceito permite ao seu sexo – constitui uma insensatez.” (Charlotte Brontë_Jane Eyre, 2008, p. 70-71)
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Post originalmente publicado em: Uma Pandora e Sua Caixa 


  Pandora
Jaci Clemente conhecida neste  mundo virtual como  Pandora. Estudante de História e  seu objeto de estudo preferido é História da Educação. É apaixonada por literatura fantastica, poesia, romances do século XIX e todo tipo de livro bem escrito, seu primeiro emprego foi com educação infantil, então também ama literatura infantil. Adora responder aos comentários feitos em suas resenhas tentando estar sempre presente .    e-mail  #   facebook   #  twitter  #  skoob
 

[Bate Papo Literário] O fascínio da Índia através de livros e filmes!



Quando eu vi entre os lançamentos da Novo Conceito o livro "Em Busca de um Final Feliz" da Katherine Boo fiquei com vontade de ler, quando a Irene disse que eu ficaria com ele senti uma alegria enorme! O que poderia ser melhor que mais um encontro com esse lugar incrível, cheio de cores, diversidade e força Sim, mais um encontro, porque eu e a Índia temos um caso de amor inaugurado em 2002 pela literatura e continuado também através dela.


Meu primeiro encontro com a Índia foi através do romance "Passagem para a Índia" de Edward Morgan Forster. A história contada nesse livro se passa no início do século XX, antes da primeira grande guerra e em uma Índia ainda sob o controle da Inglaterra. Há quem diga que esse é o melhor trabalho de Forster é um dos maiores clássicos do século XX, eu não li tanto assim ou conheço a história da literatura para poder fazer esse tipo de afirmação, mas dos livros que li esse está entre os melhores, apesar de ter sido um dos mais difíceis também.


O livro foi escrito a partir da experiencia do próprio autor na Índia como preceptor de um jovem indiano e como secretário particular de um marajá e contém um relato primoroso de como se dava as relações sociais entre ingleses e indianos e o difícil dialogo entre os devotos do Islã e os devotos do hinduísmo. Através dele uma parte do passado da Índia se desfolha diante de nós e isso é realista, sensível, as vezes denso e trabalhoso, mas vale muito a pena.


Mas esse não foi o único encontro que eu tive com a Índia, meu segundo encontro foi através do livro "O Jardim Secreto" Frances Hodgson Burnett e do filme "A princesinha" (baseado no livro homônimo do mesmo autor). O história das duas obras não acontecem na Índia, mas tem seu ponto de partida lá e é do que aprenderam lá que elas tiram forças para enfrentar seus conflitos mais difíceis.


Ambos os livros, focam na mística da Índia, as protagonistas, meninas que viveram toda a primeira infância naquele continente são ensinadas por suas babás um pouco da fabulosa mitologia hindu e em meio aos seus momentos de crise usam esse conhecimento para interpretar as situações que vivem, buscar sentidos para elas e acima de tudo solução. Eu acho ambas as histórias luminosas e emocionantes, impossível assistir os filmes ou reler "O jardim secreto" e não chorar.


E para finalizar eu corto o caminho e falo sobre o meu ultimo encontro com a Índia, ele ocorreu através do livro do francês Marc Ferro, "O livro Negro do Colonialismo", nele o passado da África e da Ásia é posto em cheque e se desfolha diante de nós. O capitulo no qual a história do passado colonial da Índia é tratado é simplesmente perfeito, em uma linguagem simples, descomplicada para ninguém colocar defeito, a história da Índia e de seus diferentes sujeitos nos é contada.

Mas, se só de pensar em ler a história dos historiadores te cansa a alma, mas você ficou curioso procure o filme Magal Pandei.


Mangal é uma especie de Tiradentes indiano, um soldado do exercito particular da Companhia das Índias Orientais que com a sua atitude fez rolar a primeira pedra da avalanche que foi o processo de descolonização da Índia. O filme é lindo, quem gostou da novela "Caminho da Índias" vai descobrir de boca aberta que a trilha sonora, figurino e muitas coisas mais foram copiadas desse filme descaradamente. Já assistir mil vezes esse filme e não canso de admirar a forma brilhante como história e entretenimento se cruzaram nesse trabalho.


Agora só me resta dizer:

"Em busca de um final feliz", seu lindo, chegue logo para que eu possa te amar também!!!




  Pandora
Jaci Clemente conhecida neste  mundo virtual como  Pandora. Estudante de História e  seu objeto de estudo preferido é História da Educação. É apaixonada por literatura fantastica, poesia, romances do século XIX e todo tipo de livro bem escrito, seu primeiro emprego foi com educação infantil, então também ama literatura infantil. Adora responder aos comentários feitos em suas resenhas tentando estar sempre presente .    e-mail  #   facebook   #  twitter  #  skoob
 

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