Um dia fui com minha mãe à feira de domingo. No fim das compras passamos na barraca do careca que vendia e trocava romances. Eram livros velhos, alguns até sem capas. Ele vendia de tudo, até livros escolares ou de microbiologia em espanhol (risos), mas o forte da barraca eram os romances harlequim da Nova Cultural. Toda menina já ouviu falar deles não é? Quem nunca leu ou pelo menos viu vendendo na banca de jornal as séries Julia, Sabrina ou os romances históricos(esses sempre foram meus preferidos)?
Pois bem, eu estava folheando esses romances com minha mãe quando ela achou o livro Angélica e o príncipe das trevas. Não sou muito fã dessas histórias porque normalmente são muito previsíveis, gosto das histórias que me surpreendem, mas com Angélica tudo é possivel. Minha mãe contou que leu todos os livros dela quando garota e eu fiquei fascinada pela história, então resolvemos comprá-lo. Angélica tinha virado mendiga após a morte do marido na fogueira, por isso teve que ser apresentada à comunidade mendicante. Fora exigida por Calembredaine, que nada mais era do que seu amigo de infância que ganhara destaque na mendicância.Em Paris tinha-se uma "corte" às avessas, composta pelo submundo parisiense de mendigos, ladrões, panfletários etc. Após ser aceita, Angélica então ganhou o nome de "A marquesa dos Anjos" e seguiu como favorita de Calembredaine na Torre de Nesle. Angélica não estava muito feliz com seu destino de virar mulher de ladrão, mas pelos filhos do primeiro casamento ela se sujeitou à relação. Aliais pelos filhos Florimond e Cantor ela fez muita desgraça consigo mesma, inclusive se entregar ao chefe de polícia para que ele resgatasse Cantor dos ciganos quando em ocasião de uma grande guerra na Feira de Saint Germain onde a Torre de Nesle é vencida, e Angélica vai presa. Então, seus filhos ficam à mercê dos mendigos rivais de seu amante, que planejavam vendê-los. Florimond não chega a ser trocado, mas Cantor sim.
Depois disso, Angélica tenta a vida burguesa, mas para não ser agredida por Traseiro de Pau ( novo Grande Coesre, que é tipo o rei da mendicância) que passa a governar o Pátio dos Milagres (lugar de concentração da mendigada, e onde os mendigos"se curavam" milagrosamente) depois que Angélica mata o Coesre anterior. Ela é obrigada a dar um tributo a Traseiro de pau em troca da própria segurança. O livro acaba mais ou menos assim. Eu tinha 13 ou 12 anos quando o li . Procurei como uma desesperada a continuação e os livros que vieram anteriormente, porque infelizmente parecia que a história de Angélica começava bem antes do seu reencontro com Calembredaine, o que me daria um trabalho redobrado na hora de procurar. Mas eu não achei nem no google referência alguma do livro e dos autores na época. Fiquei desconsolada. Acabei na raiva dando o livro que eu queria tanto colecionar.
Uns dois anos depois, encontrei num sebo em Madureira uma das continuações: Angélica e as perfídias da Corte. A Marquesa dos Anjos, agora era uma grande comerciante que introduzira o chocolate no gosto da população de Paris. Ela tinha uma patente herdada por um de seus sócios, Davi o sobrinho do senhor Boujours, homem que tinha abrigado Angélica e os filhos, e cujo sonho era ter uma filha, que acabou sendo Angélica por algum acaso do destino, quer dizer, Angélica virou sua filha adotiva. Nesse livro, ela casava com um primo que tinha lhe magoado na infância chamando-a de "A baronesa de triste vestido". Acredito que o casamento em parte foi por vingança e em parte foi para voltar a ser nobre, mas ela pagou caro por isso. Filipe de Du Plesse-Belière lhe deu uma surra na noite de núpcias e a estuprou. Ele se recusou várias vezes a deixar sua esposa a aceitar os convites do rei de comparecer à corte, o que irritou muito sua majestade. O decorrer do livro vai mostrando a situação mudar, Filipe acaba se apaixonando por Angélica e torna-se menos cafageste aos olhos dos leitores, mas morre tragicamente no final, quase levando Angélica à loucura, principalmente porque ela teve seu terceiro filho e esperava conseguir criá-lo com o pai verdadeiro. . . . leia mais aqui
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