A Saleta de Leitura recebeu de sua
parceira a Editora Novo Conceito , o seu livro O Sonho de Eva para leitura e
resenha. Visitando o site Chico Anes podemos
conhecer um pouco sobre o autor e
ficamos sabendo sobre alguns autores que são os inspiradores na sua arte de
escrever.
“Chico Anes nasceu em
Barbacena, Minas Gerais. Formado em Engenharia Eletrônica e Pós-graduado
em Marketing. Escritor e filósofo de fogueira. Pesquisador entusiasta e
experimentador da Alquimia e Xamanismo. Apaixonado por literatura, por
montanhas, cachoeiras, e caminhadas pela natureza; lugares que muito contribuem
para as necessárias reflexões, as garimpagens e viagens interiores.”
Escolhemos
para ler sua obra e resenha a nossa colaboradora Jaci Clemente conhecida por
todos como a Pandora que ficou encantada e emocionada com a história e seus personagens.
E aqui estamos com
uma pequena entrevista onde iniciamos com perguntas feitas pela própria Pandora.
As perguntas ao autor:
1. Ao ler o livro "O
sonho de Eva" tive a impressão que esse livro demandou certa pesquisa essa
impressão tem algum fundamento? Se sim quais foram as suas fontes?
Completo fundamento. Para escrever o livro eu tive que pesquisar
várias áreas de conhecimento. Para começar, o próprio tema central do livro,
sonhos lúcidos, demandou muito estudo e prática. Nesse caso, minha principal
fonte de pesquisa foi o trabalho do Dr. Stephen LaBerge, descrito em seu
fantástico livro “Sonhos Lúcidos”, obra que expõe a tese de seu Ph.D. em
Psicofisiologia na Universidade Stanford.
Outro exemplo foi a caracterização de Eva. Para criar a
personagem pesquisei a mensagem mitológica da Eva bíblica: a queda do paraíso,
representada pela expulsão da personagem de sua inocência pela gravidez; o
conhecimento do bem e do mal, representado pelas experiências vividas seus sonhos
lúcidos e os conflitos provocados por sua criação conservadora; a serpente, símbolo
recorrente nos sonhos e sua conselheira, etc. E quando se trata de mitologia,
Joseph Campbell é sempre a melhor referência.
Também tive que estudar os experimentos de Benjamin Libet e a
consequência deles sobre o conceito do livre arbítrio, assim como as pesquisas
de Ivan Pavlov e o reflexo condicionado.
Não podia deixar de pesquisar também um pouco de teoria da
conspiração e sociedades secretas: os Nove Desconhecidos, o papa Silvestre II,
os Assuras, etc. Aqui há várias boas fontes, tais como Louis Pauwels e Jacques
Bergier.
2. Lendo o livro percebi que os pais de Eva, ambos possuem nomes
gregos Helena (Helena de Troia) e Hermes (o mensageiro dos deuses) e as irmãs
possuem nomes bíblicos Eva e Ana, assim como a grafia do nome Joachim é
diferente do habitual. Isso é um conjunto de coincidências e eu peguei a
mania de conspiração do Zed (rsrsrs) ou foram escolhas propositais?
Como estudioso da
alquimia, gosto de trabalhar os nomes para eles se encaixem na história não
simplesmente como nomes, mas como símbolos. Por exemplo, em meu livro
“Pirapato, o menino sem alma”, todos os personagens têm nomes científicos de
pássaros, que representam suas características e função na trama: o vilão da
história é Corax, nome científico do
corvo, símbolo na idade média de ave de mau agouro, relacionada ao medo, à
morte, a desgraça; Cicônia é o nome
científico da cegonha, uma parteira no livro; Tito Alba, a coruja das torres, é o nome de um sábio alquimista,
sendo que a coruja representa em algumas culturas o estudo e a sabedoria... E
assim vai.
Em o Sonho de Eva, a
começar pela protagonista, o nome foi escolhido pelo simbolismo que a Eva
bíblica representa.
Adhya, o lado negro de
Eva, em sânscrito é “primeiro poder”, “o começo”, e em algumas traduções encontrei
“primeira mulher”; uma Eva ao contrário.
Alec é uma variação
teutônica do latim Alexander, “protetor do homem” ou “defensor da humanidade”.
Hermes é um deus
multifacetado. Aparece na Ilíada como
um dos deuses aliados dos gregos contra os troianos. Uma de suas funções era
levar as almas dos mortos para o Hades, e conduzir os sonhos enviados por Zeus
aos homens.
Anna, a mulher estéril
da Bíblia, representa o contrário da fertilidade prematura de sua irmã Eva na
história, e tem o “n” dobrado para desvirtuar seu significado que é “cheia de
graça” (inclusive há uma mudança de nome de um personagem na história para
Joanna, ou seja, o sacrifício e provações de Jó somado ao nome de Anna).
Bem, cada nome tem um
significado na obra... É claro que tudo isso não influencia na história, mas é
como eu gosto de criar os personagens.
3. A doutora Eva e sua irmã Ana viveram um relacionamento
Mãe/Filha bastante complicado em sua trama, você se inspirou em que para tecer
os fios desse relacionamento?
Isso foi um pouco mais
fácil. Apenas um olhar atento em vários e vários relacionamentos entre pais e
filhos de nossa (e de outras) gerações. Alguns conflitos sempre existirão, como
o embate entre fé e razão, passado e o presente, a imoralidade de ontem versus
a moralidade (ou amoralidade) de hoje.
4. Em muitos momentos ao ler o livro eu sentia como se estivesse
assistindo uma novela misturando romance, ação e suspense e já que posso
perguntar: você é "noveleiro"?
Sou um apaixonado por
cinema. Adoro filmes. E acho que quanto mais próximo eu puder usar a linguagem
das telas em meus livros, mais eles poderão se comunicar com meus leitores numa
linguagem atual e universal. As novelas da TV eu normalmente não assisto, mas
não dispenso os capítulos onde o “bicho pega”, aqueles que todo mundo comenta
uma semana antes de irem para o ar...
5. Depois de terminar a leitura, fiquei de certa forma com um
gosto de quero mais, com a impressão que dentro do enredo criado em "O
sonho de Eva" Alec, Eva,
Joachim, o indiano misterioso e Zed poderiam vivenciar outras aventuras.
Existe alguma chance de ver/ler outra história com esses personagens, uma
possível continuação?
Entendo o que você diz. Eu também queria retornar à vida desses
personagens e trazê-los de volta em outra trama. Mas no momento tenho outras
histórias para contar, e vou deixar essa turma descansar um pouco.
7 – Apaixonado por literatura somado ao seu dom e talento para a escrita já o levou a
escrever, além do “O Sonho de Eva”, o
livro “Pirapato”. Esse foi seu primeiro livro? O que pode nos contar sobre essa
experiência?
Costumo chamar Pirapato de “meu ensaio atemporal”. Para escrever
o livro usei muitos elementos de alquimia e xamanismo. Pirapato é um clone, e a
pergunta do livro é: tem um clone uma alma imortal? E se não tiver, é possível
“construir” uma alma? Para tentar trabalhar nessas perguntas, usei o
conhecimento de antigos alquimistas e magos. Por exemplo, toda a caminhada de
Pirapato pelo reino fictício de Cávea é a representação gráfica do desenho do
eneagrama, e cada personagem que ele encontra em sua busca representa as
personalidades típicas de cada ponto do eneagrama. O eneagrama é um sistema trazido
para o Ocidente pelo místico Gurdjieff, após cerca de 20 anos de peregrinação
pelo Oriente. Ele descreve nove padrões de comportamento e seus diferentes
níveis de consciência. Assim, Pirapato alegoricamente caminha sobre uma
ferramenta mística a fim de “construir” sua alma. Os obstáculos que Pirapato
tem que viver e vencer são na verdade exercícios xamânicos ou alquímicos, que promovem
o crescimento pessoal e espiritual. Como eu já disse lá em cima, os nomes dos
personagens derivam de pássaros, que também tem um significado simbólico (todos
menos Pirapato, que no livro é o menino diferente, o menino sem alma, um clone).
Eu mesmo publiquei o livro e distribui para amigos, sendo que
alguns exemplares acho que ainda são vendidos em sites e sebos. Hoje, se fosse
relançar a obra, reescreveria algumas coisas.
8 – O que o inspirou a escrever O Sonho de Eva ? O que pode nos
contar sobre a repercussão que está tendo em relação aos seus leitores?
“O Sonho de Eva” foi um livro escrito observando as técnicas
para a produção de thrillers. Tive a intenção de escrever uma trama que fosse rápida
em ação e ao mesmo tempo profunda em alguns conceitos. Desde que resolvi
escrever profissionalmente, meu primeiro cuidado foi com o leitor; mais
especificamente com a inteligência, com o tempo e com o dinheiro do leitor.
Para isso parei por um tempo e estudei. Veja, para me formar em engenharia eu
levei longos cinco anos, debruçado sobre fórmulas matemáticas, leis do
magnetismo, e provas que pareciam escritas em grego. Cinco anos! Assim, a
conclusão que cheguei foi que para respeitar o leitor eu deveria enfrentar o
mesmo ritmo de estudos que tive na faculdade (coisa bem de engenheiro, não?).
Assim estudei as técnicas para criação de personagens, estruturação de enredo,
montagem de cenas, etc. Ou seja, inspiração vale, mas não é tudo. Acho que por
essa razão o livro está repercutindo bem. Ele foi escrito com muito profissionalismo,
e com muito carinho. Foi escrito de forma a respeitar o leitor.
Outro cuidado que tive foi com o atual perfil dos leitores. São
jovens inteligentes, conectados no século XXI, super ligados em tudo. Isso me
mostrou que poderia escrever um livro de ação e discutir um pouco das questões
que permeiam nossa vida neste momento do mundo. Fazer a coisa pegar fogo numa
página e na página seguinte escrever “O coma onírico de João Cogumelo”, uma
viagem ao mundo das metáforas, uma pausa que costumo chamar de “filosofia de
fogueira”.
A inspiração para “O Sonho de Eva”? Sem dúvida foi o livro do
Dr. Stephen LaBerge e as maravilhosas experiências que ele me proporcionou no
mundo dos sonhos lúcidos.
9 – O Sonho de Eva leva o selo da Novo Conceito Jovem. Na sua
visão quais os benefícios que o jovem leitor poderá tirar da leitura desta sua
obra?
Publicar pela Novo Conceito foi a realização de um sonho. Uma
das coisas que me admira na editora é que ela tem tantos fãs quanto os livros
que lança! O selo “Novo Conceito Jovem” busca aumentar ainda mais a sintonia da
editora com seu público, e lançar novos autores nacionais.
O leitor do Sonho de Eva poderá, além entretenimento, refletir
sobre alguns temas como o uso da tecnologia para fins pouco amistosos, o vício
virtual, a realidade e o livre arbítrio, entre outros. E, claro, viver com os
personagens virtudes humanas como o amor, a fé, a vontade incansável, a
amizade.
11 – Gostaria
de nos falar um pouco sobre o terceiro livro que está escrevendo sobre contos
de antologia de ficção científica?
Parei por um tempo com as antologias. Está faltando tempo... No
momento estou escrevendo o próximo romance. Vou tratar sobre os sentidos e seus
efeitos na formação do homem. Vai ser uma história que demandará muita pesquisa
e experimentações. Não poderia ser de outra forma, em se tratando de sentidos.
12 – Trabalha atualmente na sua formação de Engenheiro
Eletrônico ou só se dedica a atividade de escritor ?
Trabalho numa multinacional de telecomunicações. A engenharia é
outra paixão. Aos livros dedico minhas noites e madrugadas, quando o silêncio
do mundo me permite ouvir as vozes dos meus personagens e as histórias que eles
me contam.
13 – Gostaria de nos dizer mais alguma coisa que aqui não foi
questionado?
Sempre me perguntam o caminho para se escrever um livro e ser
publicado. O caminho eu já contei lá em cima: estudar, praticar, estudar,
corrigir, estudar. Se um autor tratar sua história com profissionalismo, é só
ter paciência para ser publicado. E digo que paciência é muito importante, pois
já vi boas histórias não serem publicadas por falta de paciência. “Um bolo
tirado do forno antes de estar completamente assado é tudo, menos um bolo”.
14 - Qual o recado que deixaria para os seguidores e leitores da
Saleta de Leitura?
Quero agradecer o espaço que a Saleta de Leitura me
proporcionou. O trabalho de blogs como este é essencial no cultivo do hábito da
leitura e no amor pelos livros. Qualquer estudioso que no futuro for pesquisar
sobre os livros e a leitura no Brasil do século XXI vai se deparar certamente
com o trabalhos dos blogs literários. Aos leitores, quero agradecer todo o
carinho com que têm me tratado. Recebo críticas e mensagens maravilhosas, e
cada uma dessas palavras faz valer à pena o trabalho de lapidar as frases,
escolher os nomes, desenvolver a trama. Vocês, leitores, são o início, o meio e
o fim de toda a motivação para escrever!
Obrigado!
Chico Anes
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Chico Anes
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Eu ainda não li este livro, mas está na minha listinha!!
ResponderExcluirXoxo
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Caraca adorei as respostas do Chico, criteriosas e explicativas, acho que eu sou mais ligada as novelas que aos filmes por isso associei a um e não a outro.
ResponderExcluirAdorei as respostas dos nomes, aiii ainda bem que não estava com mania de perseguição.
E sim, espero pelas suas próximas histórias!!!
Huhu... E claro, meus parabéns e gratidão a Saleta por proporcionar momentos assim!!!
Também gostei do O Sonho de Eva, bem escrito, deixa um gostinho de quero mais que é sempre saudável. Mas sou meio lento para associações, então muitas das coisas e simbologias me passaram batidas...
ResponderExcluirAdorei a entrevista ;) grande beijo.
Adorei a entrevista, tenho muita vontade de ler esse livro ^^
ResponderExcluircomecei a ler o livro dele a pouco tempo, e não tinha parado para pensar nos nomes dos personagens serem gregos e bíblicos. depois de ler esta entrevista me achei burra por não ter reparado hahaha
ResponderExcluirnossa, me admirei com tantas pesquisas que o autor teve para escrever o livro, e isso me fez pensar que as vezes não valorizamos tanto um livro como deveria né? =/
Uau, nem sei o que dizer.
ResponderExcluirAdoro entrevistas, essa foi demais.
Alem de interessante. Pareceu pequena quando li.
Muito boa!
Legal ele ter falado sobre os blogs literários, sobre o trabalho desenvolvido pelos blogueiros .
ResponderExcluirSão poucos os autores Brasileiros que me interessam na literatura,mas gostei da objetividade dele e pele resenha do livro que li aki, acho que vou adorar o livro..
ResponderExcluirkamilla.mendes14@hotmail.com
Muito boa a entrevista. Só fiquei com mais vontade de ler o livro.
ResponderExcluirAdorei a entrevista. Quero ler este livro o mais rápido possível
ResponderExcluirEstou com muita vontade de ler esse livro, adorei a história dos nomes, e realmente quando eu vi pela primeira vez o livro, ao ler o nome "eva" eu relacionei logo a algo bíblico e depois foi que descobri a história do livro.
ResponderExcluirMuito boa a entrevista ..
ótima entrevista.
ResponderExcluirÉ ótimo conhecer o que pensa um escritor. Parabéns pela entrevista! bjus
ResponderExcluirMuito boa a entrevista, esclareceu fatos muito importantes do livro.
ResponderExcluirNão conhecia o autor, mas depois dessa entrevista vou passar a acompanhar suas obras mais de perto.
ResponderExcluirAdorei a entrevista,clara e precisa!
ResponderExcluirEstou ansiosa para ler o livro
Muito boa essa entrevista. O Chico Anes mostro-se um homem super inteligente. Muito bom saber que ele pesquisa os assuntos antes de no decorrer da criação de suas obras, e que os detalhes são pensados minunciosamente antes de postos no papel. Parabéns ao autor, e que ele escreva mais e mais sucessos.
ResponderExcluir@_Dom_Dom