Cine Saleta apresenta " A menina que roubava livros " Filme x Livro







Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Ano: 2007
Páginas: 480

Resenha Aqui

Lançamento: 2013
Diretor: Brian Percival
Roteirista: Michael Petroni
Elenco: Geoffrey Rush, Emily Watson, Sophie Nélisse, 
Ben Schnetzer, Nico Liersch
Produção Fox




Para quem não leu o livro, segue a sinopse:


A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. 

Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve.É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos.O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto.


 "As palavras um dia podem salvar as suas vidas."




Liesel é uma menina determinada, sensível, amorosa, marcada pelo horror da guerra, mas que não abre mão dos seus princípios. É quando estão enterrando seu irmão que ela rouba seu primeiro livro, porém ela não sabe ler. Porém seu pai adotivo, uma homem de bom coração, paciente e também muito amoroso, a ensina a ler. O segundo livro vem no dia do aniversário de Hitler quando fazem uma fogueira de livros. Através de uma mulher ela entra pela primeira vez em uma biblioteca e a partir daí não para mais de ler. 
Max, um judeu que sua família esconde no porão, a ensina a contar histórias. Liesel o salva com suas leituras e emociona seus vizinhos com suas histórias.

 "As vezes as pessoas são tão bonitas, não pela aparência física nem pelo que dizem, só pelo que são..."


Precisamos ter em mente que livro e filme são linguagens diferentes. Assistir um comparando com o outro muitas vezes faz com que perca a beleza do filme. Há detalhes que só cabem à literatura. Porém o filme traz muito mais do livro do que eu imaginasse que traria. A maior surpresa é que no livro a história é contada pela Morte, que muitas vezes até tenta um diálogo com o leitor, e ela aparece no filme, nos momentos certos, com os comentários certos.

É um filme maravilhoso, fotografia fantástica, belíssima trilha sonora (John Williams) e atuação impecável dos  atores. Geoffrey Rush e Emily Watson dão um show mais um vez. Eu assisti meio que hipnotizada, com medo até de piscar, de respirar e me emocionei até as lágrimas diversos momentos. Com certeza assistirei novamente.

 

 Se deixe cativar por essa história que nos mostra a importância das amizades e da leitura.




"Algumas pessoas passam por sua vida, outros a acompanham até que não lhes seja mais possível, outro estão mais perto do que parecem."

Muita gente teve dificuldade em ler o livro por causa do ritmo da história e acredito que muitos possam ter a mesma dificuldade com o filme. É para ser lido e assistido mais com o coração, é para ser sentido. Para mim isso se deve aos gêneros que estão acostumados, romances de fácil leitura, ou muita ação, os vampiros e outros seres, por exemplo. Vejo os livros que pessoas leem  e noto a falta de variedade do tipo de leitura, isso acaba deixando as pessoas com pouca paciência para os livros mais densos e que você vai se deixando envolver.


"Eu tenho aprendido que a vida não é fazer promessas. Eu sempre tentei ignorá-lo, mas eu sei que tudo isso começou em um trem e um pouco de neve e meu irmão. Fora do carro, o mundo foi jogado dentro de um snow shaker. E em um lugar chamado Heaven Street, um homem com um acordeão e uma mulher envolta em um trovão esperavam por sua nova filha. Ele viveu sob nossas escadas como uma coruja tranquila, sem asas até que o sol se esqueceu de seu rosto. O livro flutuava no abaixo como um peixe vermelho que está sendo perseguido por uma baía de cabelos amarelos." (Liesel)

  




Luci Cardinelli  Professora, atuou como profissional do mercado de capitais e atualmente é artesã. Além disso é amante da leitura e apaixonada por filmes, principalmente pelos antigos e dramas, só não assiste terror e acompanha diversas séries da TV. Ama arte, viajar e MPB.




9 comentários

  1. Ainda não fui assistir o filme, depois desse seu post fiquei com mais vontade ainda de assistir.

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  2. Oi Luci, amei a resenha. Concordo que o livro e o filme, são para apreciar com o coração, sentir, se entregar, com calma, sem pressa. Devem ser sentidos por completa, pois existe uma dramaticidade que merece atenção. Não é pra qualquer um. As pessoas hoje em dia, gostam de livros rápidos e mais simples... A Meninas que roubava livros é uma obra de arte. Um presente que ganhamos de Marcus Zusak.

    Eu amei o filme. Os atores são perfeitos... sai com a cara inchada de chorar.

    :)

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    1. Thaynan, verdade! um presente que ganhamos dele!

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  3. Peço desculpas, mas discordo totalmente. Li o livro e amei. Confesso que quando esse livro chegou em minha casa, pelas mãos de minha mãe, não dei a devida atenção, pois estava imerso em outras leituras. Mas terminada a pequena sequência de livros decidi me debruçar nesta obra e que escolha mais acertada. Fui me apaixonando pelo livro. Ele me deu não apenas uma história, mas palavras cheias de significados e sentidos profundos. A morte foi o melhor personagem para mim. Ela conferiu o tom certo entre o drama, sensibilidade, alegria, surpresas e despedidas. As nuances entre a língua inglesa e germânica foram mais do que uma estratégia inteligente, foram uma forma de alargar sentidos e fazer o leitor se deter o quanto as palavras podem ser potencialmente poderosas. Num cenário de guerra aprendemos a partir do olhar da pequena Liesel a sentir mais intensamente a vida.
    Fui ver o filme carregado desse encontro com o livro. E como seria diferente? Não poderia simplesmente me despir desses sentimentos, “zerar” minha experiência e transformá-la num olhar mais “puro”. Mas isso não impediu que eu fosse ver o filme de forma despretensiosa. Estava animado para ver o filme com a consciência que essas comparações com o livro são, por muitas vezes, desastrosas e desnecessárias. Cada arte tem sua forma de comunicar, de promover um encontro com uma história, imagem, palavras. Ao assistir ao filme tudo o que vi foi uma história mergulhada em açúcar e mel, debruçada de maneira superficial e desconexa ao encadeamento da narrativa. É como se a história estivesse lá, porém não está. Você fica esperando aquela conexão, aquele momento em que o filme vai te capturar e nada. No final decepção e perda de tempo. Um filme fraco que promete mais do que cumpre e deixa uma história fantástica vaga, vazia, apenas uma nuvem do que era imensa tempestade. Muitos dirão: você não gostou do filme porque já tinha lido o livro. Creio que não. O que me fez não gostar do filme foi ele não ter sabido se comunicar por meio de seus silêncios e palavras.

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  4. tinha lido o livro pela primeira vez há muitos anos atras. não tinha gostado muito da leitura exatamente pelo ritmo da leitura, que como você mesma disse, é realmente bem difícil.
    quando fiquei sabendo da adaptação literária, coloquei na cabeça que precisava ler ele de novo, pois nem me lembrava mais da história né hahaha
    li ele um mês antes do lançamento, e quando assisti ao filme, me emocionei bastante
    mais uma vez concordo com o que você falou, e acho que não se deve comparar o livro com o filme, porque é extremamente impossível fazer um filme idêntico ao livro, consequentemente, o filme nunca ficará parecido com o livro.

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  5. Eu espero por esse filme a tanto tempo... meu Deus, estou esperando um amiga minha poder ir comigo porque combinei com ela a milênios e chego a ficar com medo de não dar tempo de ir ao cinema. Já li tantas resenhas, a maioria, como a sua, são de muita boa vontade para com o filme e me deixam mais louca aindaaaaaaaaa!!!!

    Ah, Jesus!!!

    E sim, quando tu disse "Assistir um comparando com o outro muitas vezes faz com que perca a beleza do filme. Há detalhes que só cabem à literatura." concordei plenamente.

    Cheros, Jaci.

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  6. Oi Luci. Eu já tinha lido o livro há alguns anos e gostei bastante. Fui ver o filme sem lembrar de detalhes do livro, mas gostei muito, acho que consegue encantar o leitor tanto quanto o livro. E realmente, as atuações estão fantásticas, emocionantes e a fotografia linda demais.
    Beijos

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  7. Eu até gostei do filme, achei uma boa adaptação. Mas, já tinha lido o livro e senti falta de alguns trechos que na minha opinião eram interessantes....A Liesel que eu tinha imaginado era uma menina mais fragilizada, menor, com outra aparência, porém não consegui associar a Liesel do filme com o livros, mas tudo bem. Bom filme, imagens lindas e rolou até um choro no final. Curti!

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