Entrevista – Pauline Herbach
Pauline Herbach é
carioca , mas mora em São Paulo desde 1997. É formada em Ciências Políticas e Sociais
e em Psicologia. Durante 16 anos foi Redatora e Diretora de Criação, de
Publicidade e de Marketing tendo recebido
diversos prêmios pelos seus trabalhos. Escreveu dois musicais para
criança: “Bom dia Alegria” e “A Lâmpada Flutuante”. Esse é apenas um resumo
sobre as atividades e estudos que a
nossa autora se dedica. Para saber mais é só visitar o blog Mulheres sem prazo de validade.
E aqui
estamos com uma pequena entrevista com algumas perguntas que foram surgindo depois
de conhecermos sobre a sua obra além de
queremos saber sobre quais os planos de Pauline
Herbach como escritora e profissional.
1.
Quem é Pauline Herbach ?
Sou Eu
2. Você possui um blog
chamado Camélia de Pedra onde existe um jardim repleto de histórias
onde já mostra mostra o seu dom para a escrita . Fale um pouco sobre ele e a
Camille como é conhecida por muitos.
O blog Camelia de Pedra, surgiu da necessidade de um espaço para dar
minhas opiniões a respeito do que acontece no mundo. Na época, estava indignada
com um crime no RJ, onde uma das hipóteses consideradas, era a de que uma
criança de 4 anos teria matado os pais. Pensei: passou dos limites, preciso ter
voz. Quero falar sobre isso. E certamente, o blog é a nossa voz, por principio.
Um espaço onde hoje quem quiser pode botar a boca no mundo. Essa nova
possibilidade que veio com a tecnologia, é maravilhosa: fazer um bom uso de
nossa liberdade de expressão.
3.
Como surgiu a idéia para
escrever o livro “Mulheres sem prazo de validade”? O que a motivou?
Algumas amigas minhas vinham insistindo há anos para eu escrever um
livro. Não dava muita bola, já achava o blog meu livro sem fim. Mas esse ano
calhou de um editor me convidar para escrever, selecionando crônicas do blog.
Devo escrever outros livros na vida. E tenho dois já escritos e não publicados.
Sabe quando escrever já te satisfaz? Mas voltando: escrever esse livro foi a
arte de selecionar crônicas que dessem um sentido de continuidade a um
pensamento especifico escolhido por mim:a posição que a mulher ocupa no
mundo. Sobre sua relação com algumas questões relevantes,
como maternidade, velhice, morte e claro, vida.
4. O que a levou a escolher o título do livro?
Essa questão do prazo de validade é um assunto que permeia o livro.
A cultura, a sociedade sempre deu prazos de validade para as pessoas. O prazo
hoje tem uma “garantia estendida”. Vale-se mais por mais tempo. Mas continua
havendo um prazo. Sou contra a destituição da identidade do ser humano, seja lá
por que motivo for. Idade então, não faz o menor sentido.
5.
É um livro que fala sobre
a vida , as relações e o lugar de luta que a mulher ainda ocupa no mundo. O que
deseja passar para os leitores através dele?
Que somos fruto do meio e por isso também, precisamos entender
qual é a nossa singularidade, diante da cultura que aí está e nos faz acreditar
em X, Y, Z realidades. Quem somos nós? E nós mulheres por que ainda tão
dependentes de uma aprovação masculina? Por mais que tenhamos conquistado um
espaço – importante- no mercado de trabalho.
6. O
livro é de “Crônicas de alguém que vive
em busca de conhecer o seu próprio mundo e o mundo todo. Por isso estuda,
observa, viaja, vive.” Essas crônicas
são baseadas no seu trabalho como psicóloga?
Sim e não. Poderia dizer que tb são baseadas no meu trabalho de
Socióloga. De terapeuta de família. Ou de redatora! Tudo isso está implícito. O
livro tem o meu olhar, e meu olhar contém esses saberes. Mas não cito paciente
e nem casos clínicos. É antiético. Nem “maquiada” é aceitável esse tipo de conduta.
Concordo inteiramente com essa postura do Conselho de Psicologia. A relação
paciente/ terapeuta é de confiança. E essa confiança tem que ser
inquebrantável.
7. Sabemos
que é mãe, psicóloga dando atendimento em consultório particular,estudando
Políticas Públicas além da função de escritora. Como consegue conciliar as duas
funções?
Não consigo, hehehehe.
As vezes me sinto um bocado desordeira e faltosa. Penso que ter uma secretária
seria fundamental. Uma particular, para deixar tudo em ordem. Coisas
que vão de pagamentos de contas à arrumação de casa, tipo pequenas obras.
Mas não é a realidade de hoje, dispor de uma porção de funcionários.
Entre
as escolhas possíveis, coloco como prioridade a educação da minha filha de 11
anos, que ainda não tem autonomia para fazer o que quiser. É um caráter em
formação e precisa de toda a atenção possível.
8. Depois
de “Mulheres sem prazo de validade” tem algum projetp para um novo livro?
Devo editar uma pesquisa sobre hospitais dia. Já feita. Agora estou
pesquisando e escrevendo mais uma parte dela. Aparentemente é uma pesquisa sem
fim. A vida é dinâmica...Mas aí é trabalho científico, embora eu procure
escrever sempre de um jeito que todo mundo consiga ler e entender. Acredito que
seja um bom vício de redatora: escrever como se fala, conversar com o leitor.
Fora isso, tenho sempre um projeto para um novo livro sim. Minha cabeça é cheia
de projetos.
9. E esta pergunta foi
enviada pelo Alexandre
Mauj
do Lost in
Japan
que trouxe o seu livro até nós. “Qual sonho grande (realizável ou não) que o livro trouxe a você ?Por
exemplo: o sonho de que o livro revolucionasse o comportamento feminino, que
transformasse vidas... “
Se o livro tocar alguém que seja, de alguma forma positiva, já
considero um feito. É bem difícil mudar a mentalidade do mundo. Não basta
querer. Tem uma série de fatores que precisam contribuir. Mas na base da
fantasia grande- adoraria que o livro fizesse o ser humano perceber que o
inconsciente não tem sexo, nem idade, nem uma série de amarras que criamos para
nós e chamamos de “eu”, e nos julgamos a partir daí: “certos”, “errados”
“validos”, “inválidos”, “culpados”, “sofríveis” e por ai vai. Sei também que
essa consciência não se adquire lendo um livro. Mas passando por um processo de
análise, por exemplo.
10.
Qual o recado que
deixaria para os seguidores e leitores da Saleta de Leitura?
Continuem seguindo este blog. É inteligente, solidário, dá espaço
para o trabalho de outras pessoas. Como essa entrevista. Quer coisa mais
bacana, num mundo que privilegia o próprio umbigo?
Muito Obrigado por ter nos concedido essa entrevista e parabenizamos pela excelente obra que já é
um sucesso.
Para saber mais sobre o livro e como adquirir acesse